Eu tinha que desligar a mente. Não sei quantos comprimidos consumi, nem o quanto de cada substância inalei, e não importa também, porquê importaria? O objetivo não era novidade, o último recurso quando nada mais funciona e o peso e a dor já não são mais suportáveis: Apenas desligar a mente por um bom tempo para que assim ela descanse e se recupere. Há tb sempre, uma parte de mim, que agora já na vaga esperança - Deseja que aquele coma seja permanente, que seja enfim uma porta para a paz e o descanso. Vaga, pois já ficou mais que evidente que não é assim que irei me libertar. Ainda assim, há essa parte que diz "Quem sabe...." Mas não, sei que não serei tão afortunado, então não é sequer este o objetivo, afinal.
Como sempre, pude sim, neste semi - coma arttificial - Tão artificial quanto tudo e todos á minha volta - Atingir tal objetivo de "Esfriar o Motor", e passar por todos os estranhos processos de recuperação. Porém, paz e descanso já não encontro mais, há muitos anos, sequer no sono artificial. Pois é no sono que todos os fantasmas e delírios que me assolavam enquanto acordado, desfilam total e livremente. É quando todos aqueles cadáveres flutuantes me abraçam, é quando todos aqueles rostos familiares, porém distantes e putrefatos, zombam de mim, enquanto eu mesmo também estou ali, entre eles, rindo como idiota, de um idiota, e de tudo que é tão idiota. Durante este logo período, que não sei ao certo tampouco me interessa calcular, também como sempre o espectro da minha progenitora - Que veste seu disfarce de "Mãe" - Tem liberdade total para me assombrar, me encontro totalmente indefeso, quando estava semi - acordado antes, conseguia ao menos mudar os canais no controle remoto, e assim mantê-la longe, no seu devido lugar. Mas no sono, não tenho "Defesa" alguma, e no fim, toda a morte e a putefação que me envolvem acabam sendo intoxicantemente confortáveis. É uma espécie de descanso, afinal, talvez. Mas uma hora terei que despertar, e irei querer despertar, pois tenho coisas a fazer, coisas que quero fazer, e já está claro a esta altura que não, não me libertarei, não dormirei para sempre. Sinto que meu coração ainda bate de forma irritante, comprovando que estou de fato, "Vivo".
Preciso então deixar tudo isto para trás e retomar meu caminho, que ao menos sei qual é. Dou início a todos os processos, pequenas tarefas domésticas, satisfazer a "Fome" do TOC, e satisfazer a minha própria com uma "Papa" de um suplemento vitamínico (Que provavelmente não alimenta nada, afinal, é da Nestlé, e eu não sou nada ingênuo também), misturado com leite morno (Desnatado, o único tipo que meu organismo ainda consegue processar), e como de má vontade aquilo, apenas para não ser incomodado pela fome mesmo. Me arrasto então, ainda recobrando a consciência para cumprir os protocolos do TOC, e tomar banho para ver se minhas dores, físicas no caso, se aliviam um pouco, especialmente a excruciante dor de cabeça. Custo a lembrar exatamente quem sou, onde estou, quem são aquelas pessoas, e mesmo depois que me lembro, tudo ainda parece tão estranho pra mim. Me pergunto se realmente estou ali, aqui, em algum lugar, ou em lugar algum, o que também logo perde a importância, em meio áquela "Voz" tão familiar - Entre tantas outras, que me cumprimenta com o sarcasmo de sempre e começa a repetir, como sempre suas tantas idéias sobre suicídio, homicídio - "E porque não ambos???" - Mas neste momento estou imune a tais provocações, e assim deverei permanecer por um bom tempo, mas ele continuará lá, falando, e com argumentos totalmente plausíveis e lógicos, que, aliados á certas vontades e tendências que residem em mim, talvez faça com que hoje, amanhã, semana que vem, ou um dia qualquer, eu acabe cedendo ao que ele propõe. Mas não importa, se assim tiver que ser, assim será, não é algo que eu possa realmente decidir, então me foco no que posso de fato decidir e controlar, no que realmente depende de mim apenas. E o deixo falando sozinho, para agora aproveitar um breve instante de paz, enquanto todos os outros imbecis que habitam minha mente não despertam, e posso então ter minha mente só pra mim.
Aproveitar o meu chá, a minha música, a companhia do meu filho felino, e deles - Dos fantasmas, dos espectros putefatos, flutuando para lá e para cá, como que talvez, dançando? Não me incomoda, pois a Morte é e sempre foi minha constante companhia, de uma maneira ou de outra. No fim, eu sou apenas um deles, afinal. Isso não é ruim. O problema não reside na morte, e sim, na vida, ou na ausência dela. Fundamentalmente, a falta de controle, em geral, também é o problema. Como recuperei o controle da "Chave Principal", então o resto se arranja, fica secundário, por ora, é claro. A Morte e a constante putrefação voltam a serem agradáveis companhias e remédios - Pois não está mais fora de controle - Não estou mais preso a uma caricatura de um típico personagem de Jörg Buttgereit - retornei ao meu estado natural de uma caricatura tosca de Poe e de Shakespeare.
Voltei consequentemente também, ao meu estado atualmente natural, de não conseguir tocar nem sentir realmente nada além de dor. Então nela busco também alguma paz e conforto. Quando o sangue escorre, não é apenas um deleite, é um útil, talvez necessário lembrete: Sangue é vida. É através do sangue que podemos encontrar alguma vida real. Pois tudo o mais agora é artificial, eu mesmo e tornei um tanto artificial, de certa forma.
E é estranho - Como tudo o mais na minha existência terrena o é - Mas com a recuperação agora em torno de 80%, eu enfim me lembro porquê estou aqui afinal de contas, e o quê, e pq, quero e devo fazer. Eu estou vazio e morto por dentro, minhas feridas internas, abertas, jorram sangue incessantemente, a dor é indescritível, torna quase nula as dores externas, a dor de cabeça, a náusea, o desconforto estomacal, a queimadura (Afinal, meu leal filho felino sempre dá o troco quando tem sua vontade desrespeitada - Ainda tenho muito a aprender com ele), mas....Em meio á tudo isto, eu mais uma vez me ergo. Não tenho opção, eu tenho um destino a cumprir. Portanto, por mais paradoxal que possa ser, e não o é por acaso, eu me levanto novamente agora, e retorno ao campo de batalha, enfermo, debilitado, ferido, e tomado totalmente pela dor. Mas é também graças a ela que retomo minha caminhada. Eu me alimentarei da dor e caminharei com a Morte ao meu lado, como sempre foi. Eu me alimentarei da minha própria dor, derramarei meu sangue amaldiçoado por onde passar, e se a dor acabar me sobrepujando em definitivo, e eu não tiver então como evitar a queda também definitiva, e se assim tiver que ser, pouco me importa, eu abraçarei meu destino seja ele qual for, pois sei que seja como for, no fim desta longa estrada encontrarei a libertação, e terei então afinal paz, sossego, silêncio, meus tantos ferimentos aos poucos irão começar a se curar, e eu enfim descansarei, seja neste planeta ou fora dele. Seja na Terra, ou em "Casa".
Dores e devaneios - Sim, talvez a previsível impressão de que todo este relato é fruto de uma mente doente - Um "Louco" - não esteja de todo errada, pois minha sanidade, assim como tudo o mais, está sempre por um fio, é provável que eu não conserve mais minha sanidade em sua totalidade, mas é importante ressaltar que considerando tudo que tive que superar para chegar até aqui, e o que ainda tenho que lidar e superar todos os dias, o fato de eu ainda conservar, na pior das hipóteses, uns 95% da minha sanidade, é um triunfo digno de nota, certamente poucos indivíduos conseguiriam isto, de modo geral, e eu consegui, de algma forma que na verdade, nem eu mesmo sei como. Mas fato é que consegui, e seguidamente cometem o erro de me julgar um "Doente Mental", quando na verdade minha mente se encontra doente, danificada, o que é BEM diferente...Mas deixe-os pensar assim, não faz diferença, e é até conveniente. Só o que sei é que querem estar certos, e não lhes negarei tal necessidade, mas sei também que no fim, ironicamente, se arrependerão disto, e desejarão estarem errados. Mas ai já será tarde demais, na verdade, de modo geral, me parece que já é tarde demais, seja como for. E não importa. Estou cansado demais para questionar o incerto e o subjetivo, dirijo meu foco no concreto apenas. E se sou "Insano" como tanto desejam e tentam fazer com que eu seja, então estou no lugar certo, em um mundo que nada mais é do que um hospício, repleto de doentes mentais e espirituais. Porquê eu deveria contrariá-los? O que o insano diz e faz, não deve ser levado muito a sério, não é realmente relevante. Se eu sou, o que sou, que cada um veja como quiser, a mim tanto faz, não é importante, pois eu também não sei ao certo. Ou sei. O que sou? Nada. E tudo isso que eu disse, porquê disse? A priori para tentar dar um pequeno "Insight" do meu inferno, em parte apenas uma necessidade espontânea, mas em última conclusão, tudo isso é sobre nada, e foi escrito por ninguém.
Eu sou nada. Pertenço ao nada. Tudo é nada. Pobre da massa ordinária, que acha que é alguma coisa, quando no fim são ainda menos que eu. Sim, no fim eles que são literalmente nada. Eu sou só um Zero. E Zero é melhor do que nada.
E agora, o maldito sol já começa a anunciar sua presença, um sol artificial, para iluminar mais um dia artificial neste mundo artificial, que para as pobres massas é tão real. E eu seguirei, apenas isto. E eu serei o que sou. Apenas isto. O resto? Donaka. E isto importa?
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
"Educação" - A Programação
Acho que sempre foi assim, só foi ficando cada vez pior, mas o plano,a intenção da coisa sempre foi essa, desde que se formaram essas "Estruturas" de mundo que conhecemos hoje, ou seja, a era AD. Uma das chaves principais desse "Modelo" de mundo consiste em controle de pensamento e restrição á criatividade e pensamento (Vide como os grandes artistas, especialmente de artes plásticas, eram sempre perseguidos, na época da Renascença por exemplo, bem antes disso tb, e até bem depois, com Victor Hugo e José Saramago, só pra citar alguns exemplos), o plano é reprimir toda a criatividade e individualidade até que ela suma de vez (Ou no caso de quem já nasceu no meio disso tudo, jamais nem desenvolva criatividade e individualidade alguma ou quase nenhuma).
E aí, com a cabeça do jovem, especialmente da criança, já "Vazia", aí eles podem inserir o que ELES quiserem ali, a "Programação" que desejarem, e tranformá-los em exércitos de zumbis genéricos, conformistas, fracos, e subservientes a qualquer "Regra" que lhe é imposta, perdendo totalmente a habilidade de questionar, e aqueles que "Acordarem" e questionarem, serão severamente punidos como "Exemplo".
Mas pq falo que é um "Plano"? Pq não é um processo natural de "Progresso" ou "Evolução" da humanidade, colégios, faculdades, tudo isso que chamamos de "Educação", foi meticulosamente planejado...A "Educação Compulsória", conceito criado por Martin Luther (MARTIN LUTHER, coincidência?)
Portanto existem sim é claro exceções, mas professores em geral, nada mais são do que "Programadores", eles não ensinam praticamente nada, apenas determinam o que é, o que não é, como é, como não é, e determinam aquilo como "Lei", verdade absoluta, e claro, repreendem severamente quem ousar questionar ou discordar. Então sim, certamente, os professores, sobretudo no meio acadêmico, "Ensinam", isso e aquilo, mas nunca fazem o seu verdadeiro dever, que é o de ensinar a PENSAR somente. Em algum ponto da história, BEM antes dessa era AD/Sionista, e tudo o mais, lá nos tempos da China antiga, da Grécia "Verdadeira", etc, creio que os professores aí sim eram realmente professores.
Interessante como tudo mudou já que hoje vemos figuras como Sócrates e Confúcio, e até um do mundo "Moderno" como Nietzsche, como "Filósofos", quando na verdade eles eram apenas...PROFESSORES.
Por fim, essa questão toda me lembra duas coisas que tb dizem muito sobre tudo isto, provando que não são só teorias nem "Delírios" meus e de quem vê a coisa desta forma: O clipe, a letra, e todo o conceito por trás de "Another Brick in the Wall" do Pink Floyd, e o episódio da animação Phineas & Ferb onde eles são mandados para um centro de "Ajustamento Comportamental", onde passam pela mesma "Terapia" retratada no filme "Laranja Mecânica", recomendo ver esse episódio, há muitas mensagens ali, inclusive sobre "Anular" a "Programação".
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Divagações Parte 1 - Morte
Eu já fui alguém, concreto, identificável, visível. Eu tinha uma vida, eu brindava e festejava com meus aliados no meu covil, no meu berço, no meu lar. Mas subitamente, os tetos desmoronaram sobre a minha cabeça, todo o mundo que eu conhecia se despedaçou diante dos meus olhos, e toda a vida que eu tinha se esvaiu pelo ralo, sumindo para sempre. Os aliados? Se revelaram no fim muito mais inimigos do que aliados....Me abandonaram, e eu os abandonei também. O que restava de mim abandonou as ruínas do que um dia havia sido um lar, e caminhou trôpego para o único refúgio disponível, tendo em mente construir uma nova vida, para substituir aquela que havia se esvaído tão rapidamente.
Eu tive condições e tempo de aos poucos juntar as cinzas e fazer um vôo da Fênix, não seria o primeiro, mas seria sem dúvidas o mais complicado de todos. Eu obtive sucesso, até certo ponto. Logo aquele refúgio se mostrou ser um ambiente hostil, repleto de armadilhas, mais uma vez eu contemplei estupefato as máscaras caindo uma a uma, era um estranho Deja-Vu. Mais uma vez eu estava preso, mais uma vez eu estava sendo traído e atacado pelos inimigos de sempre, se manifestando em outros seres. Mais uma vez eu havia sido vítima de mim mesmo, da minha boa fé. Claramente eu não poderia construir nada ali, não havia nada pra mim ali. Mas eu havia me recomposto o suficiente, eu era, mais do que nunca, um fantasma, invisível, abstrato, indefinido. Eu havia partido, mas eu me sentia melhor, havia alguma liberdade nisto, eu estava morto, portanto não havia mais dor.
Então eu apenas fiz o que já estava tão habituado a fazer: Eu aguardei, e vaguei, em meio aos vivos, enquanto aguardava.
Eu não sabia o que estava aguardando, mas o que eu aguardava chegou. Eu não tenho a pretensão de tentar entender o que houve, mas VIDA foi injetada em mim, um tipo de vida que eu jamais havia experimentado antes, que eu sequer sabia que existia.
Essa injeção....Permitiu que algo novo fosse forjado, que o vôo da Fênix fosse completado. Um protótipo de identidade nasceu, e eu pude olhar no espelho e ver alguém ali novamente, eu vislumbrei alicerces do que poderiam ser enfim a oportunidade de construir uma nova vida. Eu já não sentia mais falta alguma da antiga, fragmentos dispersos ainda assombravam meus sonhos quando eu me via obrigado a dormir, mas não havia mais trauma, eu estava curado. Mas eu fui tolo novamente. Eu sonhei, sonhei com o mundo dos vivos, sonhei em ter uma vida, o quão tolo é isto, partindo de um fantasma? E o quão chocante não foi, ao não ter mais aquelas singulares doses de "Vida" injetadas, ver que elas eram temporárias, e que agora a morte retornaria?
O processo foi estranho, eu explodi como uma Supernova, e com essa grande explosão, eu despertei, e quando despertei, não havia mais imagem alguma no espelho, os alicerces haviam desaparecido, e não havia ninguém para amparar a queda, eu estava só, exceto pela tríade de sempre, aqueles que sempre habitaram algum lugar nos confins da minha alma, e agora zombavam do meu fracasso, da minha queda, que parecia ser definitiva desta vez. Só restava uma coisa a fazer. Destruir o protótipo. Ele havia se tornado um câncer, nada mais iria florescer ali. Então eu o matei. E quando o fiz, pela primeira vez em um incontável espaço de tempo, havia silêncio. Havia lucidez total, quietude. A adrenalina cessou. As vozes enfim cessaram. A explosão havia devastado tudo, e desta vez não haviam mais nem sequer cinzas para me recompor. Não havia mais o que recompor. E afinal, porquê eu deveria recompor o retrato do fracasso? A explosão queimou cada página do código que me guiava, e só então eu pude me lembrar....
Eu mesmo havia confeccionado este código, há tanto tempo, e eu havia me tornado escravo do código que eu mesmo criei, ele vinha definindo este tempo todo o que eu desejava ser....Mas não o que eu era.
Então tudo ficou claro, tudo havia sido destruído, então nada mais me impedia de ver. Eu fracassava porquê estava sendo alguém que eu não era, eu não lembrava mais quem eu realmente era. Aquilo havia sido uma tentativa de criar compatibilidade com algo que eu jamais fui compatível. O Fracasso desta tentativa me fez ver a lógica, tal natureza não pode ser modificada. Ela deve ser abraçada.
Então este era EU realmente. Após tantas eras, eu estava reunido com a minha verdadeira natureza novamente. O frio, o vazio, o silêncio, a impassividade, um fantasma.
Agora tudo parecia familiar, meu provável destino voltou a ser familar, e foi dele que eu fugi ao me esconder de mim mesmo, naquele passado agora tão distante. Tal destino me apavorava a ponto de eu não saber como lidar com ele. Mas agora....Agora não parece assustador, sequer tão difícil assim.
Mas há uma última coisa a ser feita antes. Agora só há uma voz, e ela mostra um mapa, uma última cartada, uma última oportunidade de ter aquilo que eu vaguei buscando...Uma nova vida. Estar, de alguma maneira, vivo novamente. Neste mapa há tarefas, tarefas que se encaixam perfeitamente nas minhas aptidões, eu vejo onde posso ser útil, e mais importante, eu quero ser útil desta forma. Se eu puder fazer isto, eu terei um propósito novamente, uma razão para estar vivo, e então, eu estarei. Eu vejo claramente que tenho todo o direito de tentar, esta "Tentativa Número Último", mas que não tenho direito assegurado a nada além de tentar. Isto é só o que depende de mim: Tentar. O restante, fica a cargo do que chamam de "Destino".
E se minha última cartada, meu último suspiro falhar, será a última vez que terão ouvido falar de mim, seja lá quem eu for. Será minha última manifestação no seu mundo, porquê eu já estou ficando invisível demais de novo, e já estou pronto pro silêncio total caso minha tentativa final falhe. Se for mesmo este meu "Destino", já estou mais do que pronto para retornar definitivamente a minha essência original, fantasmagórica, indefinida, e mercenária. E tendo como destino final o de um fantasma, minhas tentativas de viver novamente consequentemente cessarão, uma vez que não se pode beber água de uma garrafa totalmente vazia.
E com isso eu vejo um outro tipo de liberdade, eu posso ver a morte novamente, o conforto que há em estar morto, e se ela tentar me abraçar novamente, eu não a afastarei como sempre fiz. Não este tipo de morte, não a libertadora morte da minha alma....O vazio, o silêncio, o nada.
Eu vou aguardar. Como sempre. Eu vou tentar. Como sempre. Mas se meu destino for este....Eu finalmente estou pronto, para retornar ao vazio total, para mergulhar no nada, para cruzar o rio de Hades, eu não estarei sozinho desta vez, a Morte estará abraçada comigo.
E agora, quando olho no espelho eu vejo quem eu sou: Não vejo nada, pois sou um fantasma, silêncio total, pois não tenho mais correntes para arrastar quando ando, apenas silêncio, não os ouço mais tagarelando, não ouço mais os passos nos corredores das fábricas, tudo sumiu com a explosão. Quem sou eu? Ninguém. Eu parti para sempre....E me sinto muito melhor.
Eu tive condições e tempo de aos poucos juntar as cinzas e fazer um vôo da Fênix, não seria o primeiro, mas seria sem dúvidas o mais complicado de todos. Eu obtive sucesso, até certo ponto. Logo aquele refúgio se mostrou ser um ambiente hostil, repleto de armadilhas, mais uma vez eu contemplei estupefato as máscaras caindo uma a uma, era um estranho Deja-Vu. Mais uma vez eu estava preso, mais uma vez eu estava sendo traído e atacado pelos inimigos de sempre, se manifestando em outros seres. Mais uma vez eu havia sido vítima de mim mesmo, da minha boa fé. Claramente eu não poderia construir nada ali, não havia nada pra mim ali. Mas eu havia me recomposto o suficiente, eu era, mais do que nunca, um fantasma, invisível, abstrato, indefinido. Eu havia partido, mas eu me sentia melhor, havia alguma liberdade nisto, eu estava morto, portanto não havia mais dor.
Então eu apenas fiz o que já estava tão habituado a fazer: Eu aguardei, e vaguei, em meio aos vivos, enquanto aguardava.
Eu não sabia o que estava aguardando, mas o que eu aguardava chegou. Eu não tenho a pretensão de tentar entender o que houve, mas VIDA foi injetada em mim, um tipo de vida que eu jamais havia experimentado antes, que eu sequer sabia que existia.
Essa injeção....Permitiu que algo novo fosse forjado, que o vôo da Fênix fosse completado. Um protótipo de identidade nasceu, e eu pude olhar no espelho e ver alguém ali novamente, eu vislumbrei alicerces do que poderiam ser enfim a oportunidade de construir uma nova vida. Eu já não sentia mais falta alguma da antiga, fragmentos dispersos ainda assombravam meus sonhos quando eu me via obrigado a dormir, mas não havia mais trauma, eu estava curado. Mas eu fui tolo novamente. Eu sonhei, sonhei com o mundo dos vivos, sonhei em ter uma vida, o quão tolo é isto, partindo de um fantasma? E o quão chocante não foi, ao não ter mais aquelas singulares doses de "Vida" injetadas, ver que elas eram temporárias, e que agora a morte retornaria?
O processo foi estranho, eu explodi como uma Supernova, e com essa grande explosão, eu despertei, e quando despertei, não havia mais imagem alguma no espelho, os alicerces haviam desaparecido, e não havia ninguém para amparar a queda, eu estava só, exceto pela tríade de sempre, aqueles que sempre habitaram algum lugar nos confins da minha alma, e agora zombavam do meu fracasso, da minha queda, que parecia ser definitiva desta vez. Só restava uma coisa a fazer. Destruir o protótipo. Ele havia se tornado um câncer, nada mais iria florescer ali. Então eu o matei. E quando o fiz, pela primeira vez em um incontável espaço de tempo, havia silêncio. Havia lucidez total, quietude. A adrenalina cessou. As vozes enfim cessaram. A explosão havia devastado tudo, e desta vez não haviam mais nem sequer cinzas para me recompor. Não havia mais o que recompor. E afinal, porquê eu deveria recompor o retrato do fracasso? A explosão queimou cada página do código que me guiava, e só então eu pude me lembrar....
Eu mesmo havia confeccionado este código, há tanto tempo, e eu havia me tornado escravo do código que eu mesmo criei, ele vinha definindo este tempo todo o que eu desejava ser....Mas não o que eu era.
Então tudo ficou claro, tudo havia sido destruído, então nada mais me impedia de ver. Eu fracassava porquê estava sendo alguém que eu não era, eu não lembrava mais quem eu realmente era. Aquilo havia sido uma tentativa de criar compatibilidade com algo que eu jamais fui compatível. O Fracasso desta tentativa me fez ver a lógica, tal natureza não pode ser modificada. Ela deve ser abraçada.
Então este era EU realmente. Após tantas eras, eu estava reunido com a minha verdadeira natureza novamente. O frio, o vazio, o silêncio, a impassividade, um fantasma.
Agora tudo parecia familiar, meu provável destino voltou a ser familar, e foi dele que eu fugi ao me esconder de mim mesmo, naquele passado agora tão distante. Tal destino me apavorava a ponto de eu não saber como lidar com ele. Mas agora....Agora não parece assustador, sequer tão difícil assim.
Mas há uma última coisa a ser feita antes. Agora só há uma voz, e ela mostra um mapa, uma última cartada, uma última oportunidade de ter aquilo que eu vaguei buscando...Uma nova vida. Estar, de alguma maneira, vivo novamente. Neste mapa há tarefas, tarefas que se encaixam perfeitamente nas minhas aptidões, eu vejo onde posso ser útil, e mais importante, eu quero ser útil desta forma. Se eu puder fazer isto, eu terei um propósito novamente, uma razão para estar vivo, e então, eu estarei. Eu vejo claramente que tenho todo o direito de tentar, esta "Tentativa Número Último", mas que não tenho direito assegurado a nada além de tentar. Isto é só o que depende de mim: Tentar. O restante, fica a cargo do que chamam de "Destino".
E se minha última cartada, meu último suspiro falhar, será a última vez que terão ouvido falar de mim, seja lá quem eu for. Será minha última manifestação no seu mundo, porquê eu já estou ficando invisível demais de novo, e já estou pronto pro silêncio total caso minha tentativa final falhe. Se for mesmo este meu "Destino", já estou mais do que pronto para retornar definitivamente a minha essência original, fantasmagórica, indefinida, e mercenária. E tendo como destino final o de um fantasma, minhas tentativas de viver novamente consequentemente cessarão, uma vez que não se pode beber água de uma garrafa totalmente vazia.
E com isso eu vejo um outro tipo de liberdade, eu posso ver a morte novamente, o conforto que há em estar morto, e se ela tentar me abraçar novamente, eu não a afastarei como sempre fiz. Não este tipo de morte, não a libertadora morte da minha alma....O vazio, o silêncio, o nada.
Eu vou aguardar. Como sempre. Eu vou tentar. Como sempre. Mas se meu destino for este....Eu finalmente estou pronto, para retornar ao vazio total, para mergulhar no nada, para cruzar o rio de Hades, eu não estarei sozinho desta vez, a Morte estará abraçada comigo.
E agora, quando olho no espelho eu vejo quem eu sou: Não vejo nada, pois sou um fantasma, silêncio total, pois não tenho mais correntes para arrastar quando ando, apenas silêncio, não os ouço mais tagarelando, não ouço mais os passos nos corredores das fábricas, tudo sumiu com a explosão. Quem sou eu? Ninguém. Eu parti para sempre....E me sinto muito melhor.
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